Lançamento coletivo e sessão de autógrafos (editoras universitárias)
Dia 10/08 (segunda-feira) às 14h
- Capitalismo e colonização: extratos e notas, Karl Marx, EdUFSC – com Waldir José Rampinelli
- Imperialismo: um estudo, John Hobson, EdUFSC – com Waldir José Rampinelli
- Políticas do sofrimento: saúde mental e subjetivações em tempos pandêmicos, Sônia W. Maluf, Ana Paula M. de Andrade, Érica Quinaglia Silva (orgs.), EdUFSC – com Sônia Weidner Maluf
- Primeiro de Abril: narrativas da cadeia, Salim Miguel, EdUFSC – com Luciana Rassier
- Sobre a tranquilidade da alma, Sêneca, EdUFSC – com Thaís Fernandes
- Sobre arte e vida em comum (ensaios breves), Artur de Vargas Giogi, EdUFSC – com Artur de Vargas Giogi
- Virada de século, Bolívar Echeverría, EdUFSC – com Waldir José Rampinelli
- Zama, Antonio Di Benedetto, EdUFSC – com Liliana Rosa Reales
Capitalismo e colonização: extratos e notas
O volume reúne textos inéditos nos quais Marx explora temas fundamentais para a compreensão da formação do capitalismo mundial. A partir de uma leitura crítica das obras de William H. Prescott – “História da Conquista do México” (1843) e “História da Conquista do Peru” (1847) – Marx oferece uma análise detalhada das “formações econômicas pré-capitalistas” e desenvolve uma teoria marxiana sobre o colonialismo como parte constitutiva do sistema capitalista mundial.
Além dos estudos sobre o mundo pré-hispânico, o livro contém importantes comentários e notas sobre o tráfico africano de escravos e a política colonial do império britânico, revisando estudos de Thomas Hodgskin, Felix Wakefield e outros autores do período. Esse material revela não apenas registros históricos valiosos, mas uma teoria abrangente sobre o colonialismo e sua relação intrínseca com o desenvolvimento do capitalismo.
Imperialismo: um estudo
“Imperialismo: um estudo” era, segundo Lenin, a principal obra sobre o tema na literatura inglesa e exerceu enorme influência nas teorias do imperialismo de extração marxista, apesar da orientação fabiana de seu autor. De fato, quase todas as características do imperialismo moderno, que segue oprimindo e explorando os países da periferia capitalista, foram identificadas por Hobson ainda em 1902, a despeito da falta de rigor teórico, em muitos aspectos, desse luminoso livro. Imperialismo: um estudo é obra que permanece indispensável para compreender e transformar o mundo atual.
Políticas do sofrimento: saúde mental e subjetivações em tempos pandêmicos
Abordar as dimensões e causalidades sociais do sofrimento é um esforço que tem acompanhado a Antropologia, envolvendo diferentes situações e campos da experiência social, como saúde, bem-estar, direitos, moral ou religião. Mesmo reconhecendo o quanto essas dimensões estão atravessadas e se interpenetram na experiência cotidiana de diferentes grupos sociais, a abordagem desta coletânea é a do sofrimento social apreendido sob a grade da saúde mental, tomada aqui em seu alcance ampliado, que vai dos diagnósticos psiquiátricos e da atuação psicossocial à abordagem das emoções e das experiências subjetivas em sua dimensão social.
Primeiro de Abril: narrativas da cadeia
Primeiro de Abril: Narrativas da Cadeia é uma memória autobiográfica que transporta o leitor para 1964, quando Salim Miguel, então intelectual já reconhecido e redator da Agência Nacional, foi preso e passou cinquenta dias em uma prisão militar em Florianópolis, acusado de “subversão” pelo regime. O livro vai além da denúncia das arbitrariedades: oferece o depoimento de um escritor sensível, atento ao detalhe e capaz de recolher os traços mais significativos dos variados tipos humanos que o cercavam no cárcere.
A obra completa foi lançada pela EdUFSC em formato digital, com acesso livre e gratuito, e pode ser consultada na Estante Aberta da Editora da UFSC. Ao incluir o título na lista de leituras obrigatórias do Vestibular 2026, a UFSC oferece aos futuros universitários a oportunidade de se aprofundar em um período crucial da história brasileira pelos olhos de um de seus mais importantes escritores, estimulando a reflexão sobre a resiliência humana diante da repressão e sobre a importância da liberdade de pensamento e de expressão.
Sobre a tranquilidade da alma
Entre 53 e 54, Sêneca compõe “Sobre a tranquilidade da alma”, diálogo ou tratado filosófico dedicado a Sereno. A obra investiga as causas da inquietação interior e propõe meios para alcançar a estabilidade e firmeza do espírito. Sêneca discute o domínio sobre as paixões, o equilíbrio entre ação e contemplação e o desapego dos bens materiais como elementos centrais para a tranquilidade da alma. Iniciado durante a pandemia de covid-19, o projeto que resultou nesta tradução nasceu da ideia de oferecer um caminho para a tranquilidade num tempo em que impera o desassossego.
Sobre arte e vida em comum (ensaios breves)
Escritos ao longo de cinco anos, os ensaios aqui reunidos são dedicados às artes visuais, à literatura e às linhas de tensão entre a estética e a política, isto é, entre as obras de arte e aquilo que chamamos de vida em comum. Se hoje não há garantias para que a arte deixe de ser uma mercadoria regulada pelo espetáculo global, ainda assim há uma oportunidade para o impensável, que se aviva na linguagem, na imagem: uma saída, portanto, ligada ao próprio sentido desvelador do poético. Nesse ponto, tudo está em jogo.
Virada de século
Os textos que compõe este livro se referem à época atual, sobretudo quando assistimos ao fracasso das tentativas da sociedade moderna em resumir a essência de sua modernidade liberando-a da definição capitalista. Ademais, tematiza as tensões inerentes à reciclagem do Estado nacional, os limites da democracia representativa diante do poder das “mass media”, a crise da cultura, a vitalidade do barroco na América Latina e a importância da mestiçagem, a herança marxista e o futuro da esquerda em nosso continente.
Zama
Publicado originalmente em 1956, “Zama” conquistou o status de leitura obrigatória para uma geração de célebres escritores como Augusto Roa Bastos, Julio Cortázar, Juan Rulfo, Mario Vargas Llosa e Roberto Bolaño. O escritor argentino Juan José Saer declarou que “Zama é superior à maior parte dos romances escritos em língua espanhola nos últimos trinta anos”. A obra também recebeu elogios do prêmio Nobel de Literatura John Coetzee e, em 2017, ganhou adaptação cinematográfica dirigida por Lucrecia Martel, indicada ao Oscar de melhor filme estrangeiro.
Com uma linguagem inusual e surpreendente para a época, Di Benedetto narra em primeira pessoa dez anos (1790-1799) da vida de Diego de Zama, funcionário letrado da coroa espanhola. Afastado do centro de poder e deslocado para uma cidade distante (que o autor identificou como Assunção do Paraguai), o protagonista vive atormentado pelo tédio, a solidão e a pobreza, aguardando uma transferência que nunca acontece. O romance é dedicado “às vítimas da espera”.
A obra explora temas profundos como o colonialismo, a marginalização e a busca por pertencimento na América Latina. Uma das metáforas mais marcantes do livro compara a condição do protagonista à de um peixe que deve lutar constantemente contra as águas que o querem expulsar – imagem poderosa da luta dos povos latino-americanos pelo direito de pertencer à própria terra.

